24.11.11

"Por anos, eu bebia e abusava no uso de drogas por causa do que eu fiz naquele dia"

Uma das histórias mais ousadas (talvez a "mais ousada de todas") não poderia ser de outro grupo: Guns N' Roses. Famosos por suas extravagâncias com drogas, bebidas, quartos de hotéis quebrados e por andarem com Strippers antes da fama, uma música em especial é símbolo do que Axl Rose e sua turma (quando ainda era com a formação original) era capaz. Que eles mudaram para sempre a história do Hard Rock todo nós sabemos, mas o que poucos sabem é o que aconteceu durante a gravação do seu primeiro disco, o "Appetite for Destruction".


Antes de serem famosos, os Guns tocavam na noite americana e, segundos os próprios afirmam até hoje, suas fiéis companheiras eram as strippers dos locais onde frequentavam/tocavam e terminavam a noite. Uma dessas meninas era Adriana Smith, de 19 anos, que acabou se tornando namorada do baterista da formação original, Steven Adler. Porém, uma traição do músico mudaria para sempre a história.





A bela Adriana Smith (direita), uma das muitas strippers que conviviam com os Guns N' Roses (Reprodução)

Corria o ano de 1987, Axl Rose trabalhava há meses no álbum que seria o divisor de águas do grupo, quando na obscena música "Rocket Queen" (em português, algo como "Rainha Foguete"), sentiu falta de algo que desse veracidade à obra. Num dos dias de trabalho, após encontrar Adriana bêbada no estúdio entre as muitas das farras, propôs a namorada do amigo que "ajudasse" na faixa que estavam gravando. A proposta? Que pudesse ceder seus gemidos de orgasmo. Mas não foi simplesmente um gemido, como a própria Adriana narra:

"Eu estava namorando o baterista (Steven Adler) na época e nós sempre discutíamos sobre eu ser ou não namorada dele... Eu estava me embebedando no estúdio e Axl me fez uma proposta. Axl e eu sempre tivemos uma espécie de tentação, e uma vez que ficamos juntos, foi como fogo e gasolina"




Steven Adler, seu ex-namorado e ex-baterista dos Guns com Adriana Smith (Reprodução)

Visando se vingar do baterista, Adriana aceitou a ousada proposta de transar com Axl Rose para que "o som do amor" fosse introduzido na faixa que, entre outros versos, fala sobre o desejo sexual.
Numa das salas do estúdio em Manhattan (Nova Iorque), escura e totalmente desconfortável, diversos microfones foram colocados. Axl levou a namorada do amigo de banda para lá e, sem cerimônias, todo ato sexual foi gravado em uma fita pelo produtor do disco, Vic Deyglio, que usou recursos técnicos avançados para a época. Um dos microfones captava diretamente Adriana.

Se para a moça era um momento de diversão durante um porre, incluindo ataques de risos em meio ao ato, Axl auxiliava a moça para uma perfomance real e profissional. "Vamos lá, Adriana, tem que ser de verdade", Rose dizia, ofegante, com uma pausa no meio do coito. "Pára de fingir!".



Uma fita com aproximadamente 35 minutos foi gravada, onde o gemido de prazer da jovem foi editado e colocado na faixa, para satisfação de Axl. Seus sons orgásticos (que acabaram bem altos na mixagem da última faixa de Appetite for Destruction) são de verdade. Uma ousadia bem ao estilo Sexo, Drogas e Rock'n Roll.

Após tomar consciência do que havia feito, já sóbria, Adriana estava coberta de vergonha e aquela noite a assombrou durante anos:

"Acabei bebendo e usando drogas durante um tempão para esquecer. Sentia uma vergonha extrema, culpa e tal. Fui levada pela vingança e também a bebida. Eu sei que errei" - afirma hoje, a senhora Adriana Smith, com 41 anos e que não vê o "parceiro de gravação" há mais de 13 anos.

Quando Steven Adler soube do ocorrido ficou louco e teve "um chilique da porra", segundo Adriana. Adler, inclusive, recorreu ao seu maior vício para suplantar o fato: uso de heroína. Já viciado antes da história com a ex-namorada, o mesmo problema de uso constante o levou a ser expulso da banda, quatro anos depois.

Atualmente Smith está sóbria há 15 anos, trabalha como conselheira de álcool e drogas, além de ser vocalista de uma banda local chamada "Ghost In The Graveyard" que, inclusive, lançou uma música dedicada ao Axl Rose:

"Axl planejava me levar à estrada com eles, para termos shows de sexo ao vivo por trás de uma tela no palco. Aquele cara é um gênio, cheio de idéias loucas. Provavelmente, eu perdi um monte de dinheiro, mas não queria ser vista como uma groupie que roubava namorados."
 

Adriana Smith atualmente (reprodução)

PS: Appetite for Destruction, para mim, é um dos 5 maiores discos da história do Rock e "Rocket Queen" é uma das minhas prediletas do Guns, que é a minha banda de rock preferida.


Ouça os gemidos na faixa original, entre 2:30 e 3:10 minutos:

 


BÔNUS
 
Já que citamos a música, ouçam uma versão maravilhosa de "Rocket Queen", interpretada pela banda norueguesa Sandmarx, descoberta por mim através do Youtube. A vocalista tem uma das vozes mais lindas que já ouvi e se chama Sandra Szabo:



23.11.11


Há exatamente 30 anos o MAIOR TIME DA HISTÓRIA DO BRASIL depois do Santos de Pelé, conquistava a América, em pleno Estádio Centenário de Montevidéu, contra o Cobreloa do Chile, e rumava para GOLEAR o Liverpool no Mundial.

Essa história e a batalha que foi o jogo, com os chilenos apelando para a violência, todos nós sabemos. O que não sabemos é a emoção que esse episódio carrega para a história de cada rubro-negro. Cada gol feito virou lembrança eterna, cada jogador em campo virou herói... E o time virou mito.

Hoje, exatamente hoje, quando discute-se que o atual time não joga com beleza e muito menos com amor ao FLAMENGO, Zico e seus guerreiros pedem passagem:

FLAMENGO 2 x 0 COBRELOA

23.11.1981 - Segunda-feira
Estádio Centenário de Montevidéu - Uruguai
Público: 30.200
Árbitro: Roque Cerullo (Uruguai)
Assistentes: Juan Cardelino e Ramón Barreto (ambos do Uruguai)
Gols: Zico 13' do 1°tempo e 31' do 2°tempo)
Expulsos: Alarcon 20' e Andrade 36' do 1°; Anselmo 42', Jimenez 44' e Mario Soto 44' do 2°tempo.

FLAMENGO: 20-Raul, 19-Nei Dias, 4-Marinho, 14-Mozer e 5-Júnior; 6-Andrade, 2-Leandro e 10-Zico(c); 12-Tita, 9-Nunes (25-Anselmo) e 8-Adilio;
Técnico: Carpegiani

COBRELOA: 1-Wirth, 2-Tabilio, 3-Paez (7-Muñoz), 4-Mario Soto(c) e 20-Escobar; 14-Alarcon, 6-Jimenez, 8-Merello e 11-Puebla; 9-Siviero e 15-Washingtion Oliveira;
Técnico: Vicente Cantatore (Argentino)


21.11.11



Como uma das novidades e reformulações, lanço hoje a nova coluna, a "Estúdio Musical". Toda sexta-feira (com exceção de hoje que é a estreia) irei contar algumas das mais curiosas passagens ou momentos musicais, que pouca gente conhece e que marcou para sempre a história da música.

Teremos uma hoje e, excepcionalmente nesta sexta, uma outra, com uma história curiosa e até abusada sobre os Guns N' Roses.

Na coluna de lançamento conto a história mais famosa da Música Popular Brasileira, que terminou com uma herança tão valiosa para a nossa cultura, que até hoje rende estudos acadêmicos: Noel Rosa x Wilson Batista.

Entendam a polêmica e divirtam-se!

Para entendermos o que ocorreu, precisamos nos transportar para o Rio de Janeiro do começo do século XX, mas precisamente na década de 20, onde os direitos autorais não existiam com tanta regulamentação. O que realmente valia era a palavra e o testemunho dos amigos. O samba era discriminado e visto como algo marginalizado, bem como acontece hoje em dia com o funk na sociedade: Som oriundo de favela e de pessoas de classe baixa.

(APÓS O VÌDEO, VEJA A LETRA DE CADA SAMBA CITADO)

Tudo começou com o lançamento da música “Lenço no Pescoço”, onde Wilson Batista falava de maneira pejorativa do malandro sambista, dizendo que o mesmo trazia navalha no bolso e não gostava de trabalhar. Noel Rosa ouviu aqueles versos de dentro de um bar, durante uma de suas muitas noites boêmias e resolveu "responder" a canção com “Rapaz Folgado”, onde desmentia a imagem do sambista e dizia ser, segundo a descrição do outro sambista, "palavra derrotista".

Wilson foi avisado da música criada pelo Noel e contra atacou com “Mocinho da Vila”, que zombava da fama de "doutor" do bacharel nascido na Vila Isabel. Mas mexer com seu bairro querido era mexer em toca de leão! Com “Feitiço da Vila”, o sambista fez história na música brasileira e ainda fez uma apologia ao samba da sua área.

Batista então compôs “Conversa Fiada”, sempre irônico e magistral na provocação, mas Noel, revoltado com as palavras colocadas pelo "inimigo", atacou com “Palpite Infeliz (uma das minhas músicas prediletas do Noel) e de um teor agressivo pouco conhecido do mesmo.

Então Wilson, já sem argumentos, o rival fez “Frankstein da Vila”. A letra tratava do defeito de nascimento do Poeta da Vila, devido a um fórceps. Péssimo gosto do talentosíssimo sambista…

Só que Noel não respondeu por algum tempo, mas depois fez a "João Ninguém" e ainda pegou uma melodia do Wilson, colocando uma letra, fazendo as pazes. Chama-se “Deixa de ser convencido”

Os sambistas voltaram a se falar e compuseram muitas outras obras, mas nenhuma outra teve tanto valor quanto as colocadas por eles na "disputa". Momento nunca mais visto na MPB e que lançou os mesmos à fama.

Quem venceu a disputa? A Música Popular Brasileira! Ganhamos obras-primas e cada qual com seu talento, Wilson na ironia ácida e muita malandragem e Noel Rosa com toda elegância e classe nas canções.

Confira todas músicas no vídeo, leia as letras e relembre um momento único na história:



Vejam a disputa:

Lenço no Pescoço

Wilson Batista

Meu chapéu do lado
Tamanco arrastando
Lenço no pescoço
Navalha no bolso
Eu passo gingando
Provoco e desafio
Eu tenho orgulho
Em ser tão vadio

Sei que eles falam
Deste meu proceder
Eu vejo quem trabalha
Andar no miserê
Eu sou vadio
Porque tive inclinação
Eu me lembro, era criança
Tirava samba-canção
Comigo não
Eu quero ver quem tem razão

E eles tocam
E você canta
E eu não dou

x

Rapaz Folgado

Noel Rosa

Deixa de arrastar o teu tamanco
Pois tamanco nunca foi sandália
E tira do pescoço o lenço branco
Compra sapato e gravata
Joga fora esta navalha que te atrapalha

Com chapéu do lado deste rata
Da polícia quero que escapes
Fazendo um samba-canção
Já te dei papel e lápis
Arranja um amor e um violão

Malandro é palavra derrotista
Que só serve pra tirar
Todo o valor do sambista
Proponho ao povo civilizado
Não te chamar de malandro
E sim de rapaz folgado

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Mocinho da Vila

Wilson Batista


Você que é mocinho da Vila
Fala muito em violão, barracão e outros fricotes mais
Se não quiser perder
Cuide do seu microfone e deixe
Quem é malandro em paz
Injusto é seu comentário
Falar de malandro quem é otário
Mas malandro não se faz
Eu de lenço no pescoço desacato e também tenho o meu cartaz

X

Feitiço da Vila

Noel Rosa
Composição: Noel Rosa / Vadico

Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos,
Do arvoredo e faz a lua,
Nascer mais cedo.

Lá, em Vila Isabel,
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba.
São Paulo dá café,
Minas dá leite,
E a Vila Isabel dá samba.

A vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem
Tendo nome de princesa
Transformou o samba
Num feitiço descente
Que prende a gente

O sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora:
“Sol, pelo amor de Deus,
não vem agora
que as morenas
vão logo embora

Eu sei tudo o que faço
sei por onde passo
paixao nao me aniquila
Mas, tenho que dizer,
modéstia à parte,
meus senhores,
Eu sou da Vila!


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Conversa fiada

Wilson Batista


É conversa fiada dizerem que o samba na Vila tem feitiço
Eu fui ver para crer e não vi nada disso
A Vila é tranqüila porém eu vos digo: cuidado!
Antes de irem dormir dêm duas voltas no cadeado
Eu fui à Vila ver o arvoredo se mexer e conhecer o berço dos folgados
A lua essa noite demorou tanto
Assassinaram o samba
Veio daí o meu pranto

X

Palpite Infeliz

Noel Rosa
Composição: Noel Rosa / Araci de Almeida

Quem é você que não sabe o que diz?
Meu Deus do Céu, que palpite infeliz!
Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira,
Oswaldo Cruz e Matriz
Que sempre souberam muito bem
Que a Vila Não quer abafar ninguém,
Só quer mostrar que faz samba também

Fazer poema lá na Vila é um brinquedo
Ao som do samba dança até o arvoredo
Eu já chamei você pra ver
Você não viu porque não quis
Quem é você que não sabe o que diz?

A Vila é uma cidade independente
Que tira samba mas não quer tirar patente
Pra que ligar a quem não sabe
Aonde tem o seu nariz?
Quem é você que não sabe o que diz?


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Frankenstein da Vila

Wilson Batista

Boa impressão nunca se tem
Quando se encontra um certo alguém
Que até parece um Frankenstein
Mas como diz o rifão: por uma cara feia perde-se um bom coração
Entre os feios és o primeiro da fila
Todos reconhecem lá na Vila
Essa indireta é contigo
E depois não vá dizer
Que eu não sei o que digo
Sou teu amigo

X

Deixa de ser convencida

Composição: Noel Rosa e Wilson Baptista (1935)

Deixa de ser convencida
Todos sabem qual é
Teu velho modo de vida

És uma perfeita artista, eu sei bem,
Também fui do trapézio,
Até salto mortal
No arame eu já dei.

E no picadeiro desta vida
Serei o domador,
Serás a fera abatida

Conheço muito bem acrobacia
Por isso não faço fé
Em amor, em amor de parceria
(Muita medalha eu ganhei!)