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23.6.15

Brasil e Colômbia se enfrentaram pela Copa América, naquela que foi a terceira partida entre as duas equipes em um ano. Nas outras duas ocasiões a Seleção Brasileira venceu, mas nesta última os colombianos não só ganharam como mostraram uma força muito grande e diferente de outros encontros. Assim como fiz com o Chile, resolvi entender o que de fundamental aconteceu e definiu o jogo.

Pékerman, outro treinador argentino, assim como Sampaoli, já treinou a Seleção da Argentina na Copa de 2006. Seu estilo é tradicional ao sulamericano, com bastante marcação e dois meias fazendo as criações de jogadas. Na Colômbia ele mantêm este estilo. E foi assim que os colombianos deram um nó tático no Brasil, na penúltima rodada do Grupo C da Copa América.

Com uma recomposição defensiva extremamente forte e precisa, os colombianos montaram um esquema de marcação por zona e que anulasse o principal jogador do Brasil: Neymar. Como na Seleção o jogador brasileiro atua pelo lado esquerdo, por aquele lado o treinador da Colômbia colocou Zuñiga e o volante Sánchez. Na cobertura ainda ficava o experiente Zapata.

Além deles, Juan Cuadrado  pela direita e James Rodriguez pela esquerda, com Radamés Falcão voltando, a marcação do ataque do Brasil era não só eficiente como neutralizou qualquer tipo de criatividade pelo meio. A Seleção Brasileira até tentou abrir o jogo, procurando sempre Filipe Luís na partida. O lateral foi o jogador que mais tocou na bola no jogo inteiro, justamente o único que não tinha pelas suas costas outro jogador, com Fred acompanhando Juan.

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James e Cuadrado, com o sistema defensivo forte, jogou em cima do Elias e Fernandinho. Com isso a bola não saía com qualidade e os volantes se apresentando como opção de ataque. Essa liberdade de ataque aos dois colombianos também cresceu ainda mais com apoio do lateral esquerdo Armero, que sempre teve vocação ofensiva.  O resultado foi um time "mordendo" bastante na marcação e muita gente na frente.


Com a recomposição mais lenta, mesmo com Fred ajudando os dois volantes, o sistema defensivo não conseguiu acompanhar o ritmo colombiano e por diversas vezes ficava em número igual de jogadores. Por pelo menos três vezes no primeiro tempo, a Colômbia usou dessa saída rápida para pegar o Brasil de surpresa e encaixar seu ataque na defesa desarrumada da Seleção do Dunga.


Se aproveitando desse ímpeto que os colombianos estavam por jogar novamente contra o Brasil, os jogadores acabaram por fazer marcação tão forte no meio campo que matavam a criação de jogadas brasileiras. Impedindo que a bola chegasse à frente e os volantes Elias e Fernandinho com James e Cuadrado, respectivamente, as opções eram sempre laterais ou isolamento. E sempre em superioridade numérica, a máxima do futebol moderno de hoje em dia.

Foi essa marcação forte, por vezes bruta, que irritou Neymar e causou sua expulsão. O jogador, que tem problemas pessoais por causa da sua transferência para o Barcelona que acumulou ainda mais nervosismo, não conseguiu partir pra cima da defesa, receber os passes ou criar jogadas. Sem um jogador específico de criação, o Brasil acabou sendo presa fácil para esse tipo de jogo colombiano.


No segundo tempo, a Colômbia já em vantagem no placar, apenas deixou o Brasil com a bola e aplicou todas esses movimentos táticos. Com uma pitada de revanche e correndo "dobrado", como Pékerman descreveu o seu time naquela noite, os colombianos acabaram ganhando dos brasileiros na tática, na técnica e na raça.

20.6.15

Sem dúvidas que a grande sensação dessa Copa América é a Seleção do Chile treinada pelo o argentino Jorge Sampaoli. Não é uma novidade, bem verdade, já que jogou assim na Copa do Mundo, inclusive atropelando a Espanha que conhecia o estilo de jogo chileno por causa do Barcelona.

O Sampaoli apareceu de forma marcante durante a Sul Americana 2011, quando passou por cima de todos os adversários e ganhou a competição de forma invicta. Àquela altura, o conceito praticado por ele já era consagrado na Europa, no Barcelona de Guardiola. Veio ao Maracanã e enfiou 4 a 0 sobre o Flamengo do Luxemburgo e Ronaldinho, sendo três gols apenas no primeiro tempo. O time foi tão envolvente no seu conceito de jogo, que a defesa rubro-negra terminou até com jogador expulso, o volante Aírton.

O que o argentino faz é um oásis em meio a um deserto de atraso tático na América do Sul. Em se falando de Brasil, piora mais ainda. Vide o que eles fizeram com a Seleção Brasileira na Copa do Mundo, quase eliminando o Brasil. Jogando nas costas do Marcelo e Daniel Alves, anularam qualquer ímpeto ofensivo da equipe do Felipão.

Os times do Sampaoli praticam o futebol de inversões de esquemas táticos a todo momento, utilizando cada um dos treinados à exaustão para momentos específicos da partida. Ele é jogado com triangulações e domínio total da posse de bola, o que é fundamental para esse estilo de jogo funcionar. Em média, o Chile troca 560 passes por partida. Contra a Bolívia, na última rodada da Copa América, foram 620. Para uma ideia, o Barcelona do Guardiola trocava 720 passes em média.

Na distribuição em campo, o time joga num 4-3-3 pelos jogadores colocados em campo. Porém, quando ataca, o Chile se torna um 3-4-3, com o lateral direito Isla subindo e virando ponta (por vezes reveza com Vidal a posição, assim um deles virando meia pelo mesmo lado). Com isso, o lateral esquerdo Mena fica preso ao esquema e não sobe. O meia vira um losango, com Valdívia à frente e Díaz atrás, na proteção da zaga. Marcação em zona e com ocupação de espaço.

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Para o funcionamento desse esquema a posse da bola é o sistema nervoso de tudo, porque além de girar a bola e envolver o adversário, o Chile abre espaços pelos lados e quebra a marcação adversária com passes rápidos. A tão famosa e badalada compactação é marca desse time. Jogando numa faixa máxima de 20 metros. Veja na foto acima

A troca de passes e posições acaba confundindo o adversário e, principalmente, abrindo os espaços para chegar ao gol. Foi assim que os chilenos conseguiram fazer o segundo gol, o de empate. A defesa do México acabou ficando mano a mano com os jogadores que chegaram ao ataque, sendo que os volantes deixaram Valdívia livre no meio e as laterais abertas para a chegada do Vidal ou Isla.


Essa atitude ofensiva do Sampaoli é nítida quando o time sobe e a defesa adversária rifa a bola para a frente. A Seleção Mexicana abusou de ligações diretas nesse estilo para tentar quebrar o esquema tático chileno e surpreender a formação do Chile. Como jogava com três atacantes, o México sempre precisava da volta de um deles para a ajudar na recomposição. Por diversas vezes pegou o time sulamericano de surpresa, mas a defesa com Jara e Medel conseguia impor superioridade em número de jogadores, uma das máximas do futebol moderno.

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Na recomposição defensiva tudo isso muda. O time volta a jogar com uma linha de quatro defensores atrás, com Díaz e Aranguiz á frente da zaga, forçando Vidal e Sánchez também a voltarem. Com isso o time forma duas linhas defensivas e que marcam muito forte, sem espaços para o adversário. Valdívia fica um pouco mais avançando e esperando o contra ataque para forçar as jogadas. O único "porém" nisso tudo é a lentidão com que Vidal e Isla voltam para recompor. Foi assim que o México conseguiu fazer três gols, jogando em cima dessa deficiência.

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É lindo assistir ao Chile jogar. Moderno, diferente e com um futebol bonito, de toques rápidos! Sampaoli absorveu bem da escola que nos últimos oito anos chegou com força ao futebol, onde a ofensividade das equipes é marca de um tempo que morreu no Brasil. Como bem disse Guardiola uma vez, ao ser questionado como ele fazia o Barcelona jogar de forma tão ofensiva mas com tanta posse de bola e presente até em sua biografia:

"Faço apenas o que o meu pai sempre me contava ser o futebol brasileiro".

5.5.15



Hoje li de um flamenguista "parte da torcida não quer colaborar com o clube e 'dar' R$ 40 para o sócio torcedor". O mesmo que foi copiado do Benfica e é ridiculamente desenvolvido há dois anos. Brasileiro adora babar ovo de europeu, mas os grandes gênios do marketing e arte de fazer dinheiro são os americanos. Copiem ELES!

Não é sócio torcedor que vai sustentar clube algum. Quem sustenta é a relação que você cria com sua torcida ou admiradores, independente de se filiar com um plano que "dê descontos em ingressos de R$ 100" e mais nenhuma vantagem.

Acho Sócio Torcedor uma das mais importantes atitudes pro futebol, mas ela não pode ser a muleta exclusiva pra o clube se reerguer financeiramente! Muito menos torcedor virar escravo disso!

Agora vejam o que fazem os americanos em seus esportes, sempre lotados, jogos praticamente diariamente (no caso do beisebol sim, diariamente durante sete meses). Não chantageiam seus torcedores com "seja sócio ou então não irá ao estádio". Ele faz o inverso. Incentiva que você vá ao estádio a preços atraentes e GASTE A DIFERENÇA LÁ! E esses retorno é até maior.

Um exemplo está acontecendo agora, quando o San Francisco Giants​, no dia Cinco de Maio, data equivalente à independência do México, a franquia colocou a equipe toda com nomes em espanhol, até mesmo nos uniformes. Os torcedores com nomes de origem latina, tinham desconto nos ingressos e lojas do estádio. Lembrando que a Califórnia já foi um estado mexicano e tem a população na maioria com ascendência de lá. Obviamente, está lotado.

Outra prática é a de vender utensílios usados nas partidas, um evento em especial ou de jogadores. Só com essa modalidade, franquias conseguem pagar um mês inteiro de salários, ampliam a visibilidade da sua marca, nome e até mesmo renegociar valores na renovações de cotas de patrocínio, já que se valoriza! Quantos brasileiros vocês já viram na rua usando bonés de times da MLB, camisas da NBA e NFL, mas eles NEM FAZEM IDEIA DO QUE SEJAM? Pois é... E culpar exclusivamente a "colonização americana" não cabe nesse caso, porque a camisa da Seleção Brasileira, durante a década de 90, foi o produto esportivo mais vendido do mundo ao lado da camisa do Chicago Bulls! Por que? MARKETING!

Mas aqui, é chantagem e cópia pífia de um modelo europeu. Nenhum retorno! Pratiquemos durante um tempo esse modelo e vejamos o quanto daria ou não resultado. Incentive ir ao estádio sem chantagem, disponibilize stands de forme que gastem em favor do clube, vendendo o evento e ampliando a visibilidade da marca, não de apenas 90 minutos ou a mensalidade do Sócio Torcedor.

3.5.15

Semana passada recebi um email de um leitor do blog perguntando se eu conhecia a lista dos discos mais vendidos do mundo. Sim, conhecia. Porém, há muitas divergências sobre o número exato de vendas, porque isso passa por anos no mercado e até dados locais. Atualmente, há uma lista mais aceita pela maioria dos veículos, já com informações e números de diversos canais de coleta desses valores.

PS: Vale lembrar que esses números variam conforme atualização de vendagem e também de outros que podem não ser contabilizados.

Vamos a eles? Eis os 10 primeiros:

10ª: Rumours (1977) - Fleetwood Mac (40 milhões de cópias)



 

9ª: The Immaculate Collection (1990) - Madonna (41 milhões de cópias)
 


8ª: Dirty Dancing (1987) - Trilha Sonora (42 milhões de cópias)

 
7ª: Their Greatest Hits (1976) - Eagles (42 milhões de cópias)

 

6ª: Bat Out of Hell (1977) -
Meat Loaf (43 milhões de cópias)




5ª: The Bodyguard (1992) - Trilha Sonora (44 milhões de cópias)




4ª: Bad (1987) - Michael Jackson (45 milhões de cópias)



3ª: Back in Black (1980) - AC/DC (49 milhões de cópias)



2ª: The Dark Side of the Moon (1973) - Pink Floyd (50 milhões de cópias)



1ª: Thriller (1992) - Michael Jackson (110 milhões de cópias)


25.6.12

"Quando penso em você, fecho os olhos de saudade..."

Se você tem mais de 25 anos, com certeza ouviu muitas vezes essa canção de Raimundo Fágner. A famosa "Canteiros" foi uma das músicas mais executadas e conhecidas na década de 80, após um novo sucesso do cantor. Cearense de Orós, Fágner se destacou na Música Popular Brasileira por sua musicalidade romântica, mas muito original. Um dos mais famosos representantes da cultura musical nordestina, começou a carreira com forte apelo da região, porém a sua obra mais conhecida veio de uma inspiração que demonstra toda a qualidade do cantor.

Lançada no disco "Manera, fru fru, Manera", de 1973, a música "Canteiros" teve inspiração num dos poemas mais famosos da poetisa Cecília Meireles, o "Marcha". Com influência de vários estilos, como Bossa-Nova e Tropicália, a canção hoje em dia é tratada como um clássico, mas passou por maus momentos fora das rádios. Isso porque, o início da canção é praticamente toda a quinta e sexta estrofe do poema supraticado, com pequenas alterações:

Canteiros - Fágner (e Cecília Meireles)

"Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Pode ser até manhã
Sendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria"

A Marcha - Cecília Meireles
"(...)
Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentameno.

Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento...
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento."

À época, o então iniciante e desconhecido Fágner conseguiu baixa vendagem dos seus LP's e os mesmos foram retirados das lojas. Graças a um crescente sucesso de outra obra sua, a "Revelação", muitos descobriram "Canteiros" após vasculharem toda a obra musical do cearense. Já nos seus shows da década de 70, o cantor incluia Cecília Meireles como co-autora da música. Porém, mesmo com a inspiração e não total cópia dos versos da escritora, quando tomaram conhecimento da música, a família da Cecília Meireles buscou na Justiça uma solução para a gravação não autorizada dos versos.

Em depoimento judicial no ano de 1979, Raimundo Fagner admitiu, ao ser interrogado no dia pelo Juiz Jaime Boente, na 16ª Vara Criminal, que ''sem tirar a beleza dos versos, procurou fazer uma adaptação à música'', reconhecendo o uso indevido do poema. Para o bacharel, o cantor tinha violado a lei de número 5.988/73 que regula os direitos autorais e com a agravante de plágio, nos artigos 184 e 185 do Código Penal à época.

No ano de 1981 as herdeiras de Cecília conseguiram a condenação judicial das gravadoras Polygram, Polystar, Polifar, as Edições Saturno e do cantor Fágner. A multa de Cr$ 101 mil cruzeiros por violação de direitos autorais foi o valor estipulado pelo juiz. Mas somente em 1999 a novela da briga na Justiça terminou por completo, quando a gravadora Sony Music entrou em acordo com as filhas herdeiras da poetisa para a regravação da música, que ocorreu em janeiro de 2000, na cidade de Fortaleza.

Uma curiosidade ainda sobre a canção: Além do poema da Ceília Meireles, há versos de "Águas de Março", de autoria do maestro Tom Jobim ao final da "Canteiros". Porém, não houve qualquer problema quanto a essa interferência poética na música.


30.5.12


Muita gente que justifica a internet como perigo para a saúde social do mundo lembra e cita as redes sociais. Algumas delas como Facebook, Orkut (quando ainda era usado), MySpace e afins. Pois nossa homenageada de hoje veio justamente delas e virou fenômeno no mundo: Lilly Allen. A jovem cantora de 27 anos nascida na Inglaterra é um dos maiores exemplos de que o mundo atual gira em torno, entre outros meios, da grande rede mundial de computadores.


Página da Lily Allen no MySpace

Essa londrina com jeito de menina ganhou fama após clipes e músicas postadas em seu perfil no MySpace, no ano de 2005. Foram dezenas de vídeos com canções autorais e covers. Apesar de não tocar nenhum instrumento, Lily Allen sabe ler música e garante que toda a inspiração e musicalidade a ajuda na hora de construir a melodia.

Com milhares de visualizações em pouco tempo, chamou a atenção da gravadora EMI Music, que através do selo Capitol Records lançou o primeiro disco da cantora, o Alright Still. O sucesso foi imediato, com mais de cinco milhões de cópias vendidas pelo mundo, graças ao single "Smile". A própria mídia especializada em música se mostrou surpresa com tamanha vendagem, haja vista que Allen surgira num espaço de fácil pirataria, a internet. E foi justamente focada no combate a ela que a jovem lançou seus discursos pós-My Space. Lily sempre foi contra o uso da grande rede para troca de músicas.

Capa do primeiro CD: "Alright Still"

As músicas "Smile" e "LDN" atingiram os topos das paradas na Europa e EUA, lançando para o cenário internacional a jovem cantora de então 21 anos. Com um som que mistura Pop, Jazz e um pouco de Ska, o invador estilo eclético lançou sobre o mercado fonográfico não só uma nova tendência em busca de talentos, mas também "oxigênio" para velhos modelos. Sucesso entre os jovens, adolescentes e até crianças, Lily Allen ditou o ritmo musical novamente oriundo de terras inglesas. Com diversos artistas em destaque, como Radiohead, Amy Winehouse, Joss Stone e Coldplay, especialistas diziam ser "uma nova onda britânica invadindo a música do mundo".

De personalidade forte e muito autêntica, Lily Allen sempre ganhou o público por suas declarações que não "faziam média" e bastante inspiração musical. Entre seus amigos pessoais estão Elton John, que ganhou até música da cantora. O mesmo jeito fora dos holofotes é em cima do palco, com discursos de protesto e até declarações de levar a platéia ao delírio. Uma delas foi em 2009, na Austrália, quando brincou com os marmanjos dizendo que "as mulheres eram as dominantes no mundo e eles deveriam lidar com isso daqui para frente". Euforia geral e muitas risadas.
Em 2007 Lily Allen fez seu primeiro show no Brasil em turnê cercado por polêmica e repercussão. A principal razão foi por ter cantado embriagada. Allen sempre foi criticada pelos excessos e mais uma vez estava dando razão aos críticos. Ainda por aqui, ela declarou ser apaixonada pelo país e que era um dos locais preferidos para passar férias. A essa altura do sucesso, alguns colocavam a cantora junto de Amy Winehouse no hall das novas vozes da Inglaterra. No mesmo ano foi convidada para cantar no concerto em Tributo a Princesa Diana, em Wembley. Na ocasião, sua perfomance foi elogiadíssima pela crítica. No ano seguinte é indicada ao Grammy de Melhor Álbum de Música Alternativa.
Com a fama veio também os primeiros problemas. A então também recém-famosa Katy Perry fez declarações que deixaram a mídia sensacionalista feliz da vida. Perguntada sobre seu sucesso, a californiana descreveu seu estilo como sendo "uma versão mais magra de Lily Allen e um pouco mais gorda que Amy Winehouse". A afirmação gerou grande mau estar entre ambas e a nossa homenageada da coluna não gostou nada.

Em seu Twitter oficial, Lily disse ter o telefone de Perry e ainda a ameaçou, numa entrevista ao tablóide "The Sun": "Tenho o número da Katy Perry, alguém me fez um favor! Estou só à espera que ela abra a boca novamente e coloco o número dela no Facebook". Estava declarada a guerra. A vingança viria em outra entrevista, desta vez para uma rádio da Inglaterra. Perguntada sobre a briga entre as duas musas, a britânica não deixou por menos: "Minha gravadora queria alguém de personalidade como a minha na América. E aí encontraram a Katy. Só que, ao contrário de nós duas, você não escreve suas músicas. Então cale-se!". Desde o "duelo", Katy mudou o estilo vocal, de se vestir e principalmente de se relacionar com seu público. Agora, figurante do chamado estilo "Slut Singer" (junto de outras cantoras pop como Lady Gaga e cia) , Perry parece ter deixado em paz sua rival.
Lily Allen x Katy Perry: As musas que disputavam corações e mídia
E não foi o único problema pessoal que Lily teve que enfrentar. Por duas vezes sofreu um aborto espontâneo, o que a levou a cada vez mais a beber e fumar. O primeiro foi em janeiro de 2008, quando estava com quatro meses de gravidez. O segundo em 2010, aos seis meses. Nesse intervalo de tempo, seu sucesso aumentou ainda mais, chegando a ganhar um programa de TV chamado "Lily Allen and Friends".

Não esquecendo as origens cibernética, em 2009 lança seu segundo CD, o "It's not me, It's you", que vendeu quatro milhões de cópias e teve primeira divulgação pela internet., no mesmo MySpace onde tudo começou. Conseguiu dois singles nas paradas, "Fuck You" e "The Fear". Aclamado, o trabalho é amplamento divulgado e Lily Allen ganha em 2010 o Brit Award de Melhor Artista Britânica Solo.

Capa do segundo CD: "It's not me, It's you"
De volta ao Brasil para mais dois shows, em São Paulo e Rio de Janeiro, Lily encontra um público ainda maior e mais visibilidade local. Desta vez com boa desenvoltura, a crítica destacava seu amadurecimento, mas também reclamava do pouco tempo de duração do espetáculo (pouco mais de uma hora). Com visual diferente do "estilo namoradinha" que a consagrou, Allen mostrou ousadia e novas faces. Carismática como sempre, seus fãs poucos ligaram para tudo isso.

Em 2011 realiza o sonho de ser mãe, com o nascimento da pequena Ethel Mary. Mas com o bebê vem uma notícia ruim para os fãs: temporariamente Lily Allen estaria afastada dos palcos, por vontade própria para dedicação à família. Segundo informações da imprensa inglesa, a chegada de sua filha fez com que a cantora mudasse seus hábitos radicalmente, como parado de beber e até com vida reclusa, menos polêmica.

Os anos de 2012 e 2013 são aguardados com muitas expectativas, pois Lily pode divulgar que voltará a cantar em breve e um novo CD/turnê também. É aguardar que o talento de uma voz doce e que arrancou suspiros em meio mundo volte aos ouvidos dos fãs...


16.5.12


Hoje pela manhã me surpreendi ao ouvir um amigo dizer que desconhecia um dos mais originais, talentosos, criativos e inspirados movimentos da música brasileira: Manguebeat.

Há correntes que afirmam que o Manguebeat teve início na década de 70, com o Robertinho do Recife, primeiro músico a mesclar ritmos e gerar um novo a partir deles. Porém, o Manguebeat teve impacto em Recife, no início da década de 90, com misturas de sons que formavam uma simbiose entre Rock, Hip-Hop, Maracatu e Lounge e Batidas Eletrônicas. O nome do movimento já é um cartão de visitas da criatividade dos músicos, que faz referência ao mangue, segundo os ambientalistas, o ecossistema mais rico do planeta. Com essa analogia, os pioneiros queriam que o manguebeat formasse o "ecossistema musical mais rico do planeta".

Isso aconteceu após o manifesto do movimento Manguebeat, o Manifesto dos Caranguejos com cérebro. Chico Sciente e Fred Zero Quatro cobravam nele melhorias sociais na vida da população e todo cidadão brasileiro. A presença da tecnologia é uma marca do movimento, que engajava-se para a melhor exploração do mangue e alertando a todos que ali encontra-se os Caranguejos com cérebro, sempre antenados e com afirmação sobre o que acontecia no Brasil. Assim como o mangue original serve como uma "esponja", sugando tudo o que tem no mar e floresta, transformando em vida, o som criado pelos artistas era um reflexo de tudo pré-existente em volta. (Bem como o espírito da Antropofagia na Semana de Arte Moderna de 1922). Por esse motivo, o símbolo do Manguebeat é um carangueijo, habitante do mangue.

Essa ideologia contra-cultural, quase um protesto para o esquecido Nordeste do Brasil, agitou de forma pesada o cenário das artes, cinema, moda, social e até político de Pernambuco, novamente o colocando no cenário da cultura do país. Para situarmos o poderio cultural do movimento, a primeira transmissão de web rádio, mesmo que embrionária, foi no Manguebeat. A Manguetronic, que em abril de 1996 veiculava pela primeira vez um programa exclusivamente pela web, jogou na grande rede a nossa música.

Desse furacão cultural, o maior nome da massa que se formou foi o do Chico Science e a Nação Zumbi. São pedras fundamentais de cultura e muita influência ainda hoje na musicalidade nordestina/brasileira. Junto do Raimundos e Planet Hemp, Chico e a Nação Zumbi era o que tinhamos de mais criativo e vivo na música do Brasil durante a década de 90. Bem como o Tropicalismo, Bossa-Nova e outros ritmos que são genuinamente tupiniquim, a expressão popular foi marca e o colocava em um patamar superior quanto a música nacional.

Chico nos deixou prematuramente em 1997, num acidente de carro, mas a Nação Zumbi continuou, bem como o Manguebeat. A base cultural e a prova de que podemos sim reinventar o nosso som e, principalmente nossa cultura, ficaram para sempre. Injustamente, o movimento perdeu força por conta da discriminação que sofre o Nordeste e a necessidade comercial das gravadoras. Mas como tudo se reinventa, com a chegada da internet, aquela mesmo que foi aliada há 16 anos do Mangue, volta a ter importância e divulgar novos músicos.

A música "Maracatu Atômico" é até hoje a música símbolo do Manguebeat, ganhando importância mundial ao ser o tema de encerramento do filme "Senna", sobre o ex-piloto de Fórmula 1.



Show completo do Chico Science e Nação Zumbi, no Hollywood Rock in Concert, em 1996

10.4.12

Madrugada no Twitter, horário de todos dormirem e eu esperar minhas edições para ir domir. Eis que surge uma brincadeira nos Trending Topics: #10MelhoresBandas.

Para amantes de música é impossível não responder. Mas eis que na dificil tarefa de selecionar apenas dez bandas, vem a lembrança dos discos, CDs e afins escutados para dividí-los! Aí surge outra missão: Os melhores discos.

Por que então não fazer um seleção dos melhores discos do rock? Difícil, não?! Principalmente quando já existe uma lista renomada como a do Hall da Fama do Rock. Por isso resolvi fazer os Top 10 PARA MIM!!!!

Lembrando, essa seleção é PESSOAL, que está incluído aqui meu gosto e minha preferência de estilo. Vamos a ela?

PS: Quero a opinião dos 10 melhores discos NA OPINIÃO DE VOCÊS, nos comentários!

10 - London Calling - The Clash



Com certeza deve ser o álbum mais amado pelos que curtem punk. É nele que está a famosa canção que leva o nome do disco, "London Calling", que virou símbolo do protesto musical oriundo da Inglaterra. As faixas que mais gosto, além dessa citada, obviamente, é "Spanish Bombs", onde os The Clash mostravam ser mais talentosos que simplesmente uma banda de punk e a "koka Kola".


9 - "Ramones" - Ramones


Primeiro álbum da banda, mais uma das favoritas dos amantes de punk. O disco começa com a famosa "Blitzkrieg Bop" e ainda tem a divertidíssima "I Wanna Be Your Boyfriend". Tem um som marcado pela revolução sonora proposta pelo estilo, rápida, curta e agitada!


8 - "The Works" - Queen


Aí está um disco dificil de selecionar, porque o Queen é uma banda que com grandes hits entrou pra história e, quase todos eles, distribuídos pela discografia que vendeu mais de 300 milhões de cópias ao longo dos anos. O que me fez colocá-la aqui foi justamente a qualidade desse disco em si. É uma mistura de rock, já vivendo o pós-punk e quase pós-indie, além da minha música favorita do Queen (junto de Don't Stop me Now"), a Radio Gaga. Nele também estão clássicos como "I want to break free" e "Hammer to Fall". Clássico.

7 - "Slippery When Wet - Bon Jovi"


Sou fã declarado desse estilo hard rock, uma marca dos anos 80, com aqueles rockeiros tradicionais, cabeludos, sex, drugs and rock n' roll. Esse disco tem tudo isso e, a música de maior sucesso da banda, a "livin' on a prayer". Junto dela também a famosa "You give love a bad name". Sinto muita falta desse estilo tradicional nas bandas atuais.

6 - "Metallica" - Metallica


É considerado por muitos como o melhor disco de rock metal de todos os tempos. Confesso que é um daqueles discos que todos devem ter em casa, raridade e especial. É chamado de Black Album por causa do seu peso, importância e a força das músicas! É uma porrada mesmo, porque nele estão as algumas das músicas mais famosas da banda, como "Enter Sandman" (minha preferida deles), "Nothing Else Matters" e "The Unforgiven". Está na minha lista de discos impossíveis de achar o original, mas continuo na saga!


5 - "Californication" - Red Hot Chilli Peppers


Através desse disco conheci a banda! E com certeza grande parte dos fãs. Fez um mega sucesso no Brasil, principalmente após a passagem deles no Rock in Rio III e um show em SP, no ano seguinte. Ele já abre com a minha favorita da banda, a "Around the World". Nele estão outras preferidas minhas, como "Otherside" e a própria "Californication". Como foi dito na época, repito aqui: "È um CD feito nos anos 2000, mas com o estilo dos anos 90 e a qualidade musical dos 80". Uma obra-prima!!!

4 - "Tattoo You" - Rolling Stones


Para muito especialista é o melhor CD de todos os tempos e da banda do Jagger. Confesso que gosto muito, praticamente um disco completo. Há tudo que procuramos em uma boa banda, porque vai de músicas para cantar pulando, como a que abre o LP, "Start me up", até aquelas para relaxarmos, como a "Heaven". Há nele a minha preferida da banda, a "Hang Fire". Todas, absolutamente todas as faixas, são excelentes. É nesse lançamento também que está a famosa "Waiting on a friend", que é a mais pedida pelos fãs da banda, nos shows, graças a letra que fala de amizade e companherismo. Curiosamente, após esse disco é que começaram as brigas entre Mick Jagger e seu guitarrista Richards! Graças a Deus, a banda não acabou como cogitam desde aqueles tempos e, em 2012, completa 50 anos de carreira!!!!!


3 - "Back in Black" - AC/DC



Esse disco é um daqueles que, mesmo quem não curte rock, conhece! Um clássico, uma lenda. É o disco mais vendido da banda australiana e o segundo mais vendido da história da música!!!!!!!!!!!!!!!!!! Uma obra-prima. Há quem considere ser o maior de todos os tempos, porque nele estão a faixa que leva o nome do disco, a maravilhosa (e aguardada nos shows) "Hells Bells" e a minha predileta da banda: "You shook me All Night Long"


2 - "Ideologia" - Cazuza


Sim, o poeta do rock brasileiro aparece com o vice e a frente de muitos outros renomados artistas. Mas como falei, é gosto pessoal. As maiores músicas do Cazuza estão nesse disco, como a que dá nome a ele, a famosíssima "Brasil", "Um Trem para as Estrelas", a sensacional "Blues da Piedade" e a antológica "Faz Parte do Meu Show". Preciso dizer mais? Pra mim, o disco mais importante do rock brasileiro, pelo seu conteúdo crítico, qualidade extrema de composição e música, além de ser o auge da maturidade musical do Cazuza!!


1 - "Appetite for Destruction" - Guns N' Roses


Quem acompanha meu blog tinha certeza que seria esse álbum o campeão. É minha banda favorita e cada faixa desse disco é uma antologia. Cada música tem uma história, como "Rocket Queen" com áudio originais de sexo explícito e obras primas como "Welcome to the jungle", "Paradise City" e a música que carrega um dos solos mais famosos da história, a "Sweet Child o' Mine". Sem falar de outras pérolas como "It's so easy", "Nightrain" e "My Michelle", composta para uma amiga do Axl Rose. Um CD perfeito, assim classifico esse disco que poderia ter dado absolutamente tudo errado nele, já que foi gravado com limitadíssimo orçamento e produção, mas com um talento absurdo. E detalhe: Ainda teve sua capa original banida por causa da violência que existia na mesma!!!! É tão importante para a música que ganhou um livro em 2011, sobre sua história, bastidores e curiosidades!

10.3.12


Meados dos anos 80, mais precisamente o ano de 1984, o imperialismo e doutrinação cultural dos EUA corria a pleno vapor. O mundo se via "sacudido" por uma menina loira e jeito sexy de dançar, mas que de forma antagônica fazia sucesso com uma canção chamada "Like a Virgin" (Como uma virgem). Ela se chamava Madonna e com certeza todos já ouviram falar e cantaram suas músicas. Ou pelo menos continuam até os dias atuais.

Como em um contraste calculado, uma outra jovem vestia muitas roupas que mesclavam o punk e pop ao estilo David Bowie. Não era loira, bem além disso, as misturas das cores eram os diferenciais das suas madeixas. Sua forma de dançar não era sexy, mas desengonçada, despojada, livre e irreverente. E o principal: sua música não fazia qualquer conotação sexual, apenas uma singela afirmação "Garotas querem apenas se divertir".

Se você viveu os anos 80, com certeza já descobriu de quem estou falando. Sim, a grande revolucionária da música pop: Cyndi Lauper.

Muitos jovens dos anos 2000 acham que Lady Gaga, Katy Perry, Christina Aguilera e cia são escândalos sociais, com suas roupas extravagantes, coloridas e cabelos cada dia em uma cor diferente. Pois Lauper já fazia isso há quase trinta anos. De forma natural e que conquistava corações de crianças, adolescentes e até muitos adultos, foi assim que seu CD de lançamento, o "She's so unusual" vendeu mais de seis milhões de cópias nos EUA e aproximadamente dez milhões no mundo inteiro. Foram quatro singles entre os dez primeiros da Bilboard. Um sucesso que lançou estilo.



Capa do disco "She's so Unusual"

Por tanto sucesso, o álbum entrou para a lista dos "500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos", da revista Rolling Stone, onde também estão, entre muitos, o "Thriller", de Michael Jackson e "Sgt Peppers", dos The Beatles. Além disso, a produção fonográfica está em exposição no Rock And Roll Hall of Fame, junto de outros mega sucessos.

Girls Just Want to Have Fun



Nascida em Nova York, Cyndi Lauper foi responsável por uma revolução que influenciou para sempre a música Pop. Roupas, cabelos coloridos e jeito infanto-inocente de cantar fariam história. Como já contamos aqui, a própria Lady Gaga já afirmou que sua maior influência feminina musical é a Cyndi. Vale lembrar que Gaga nasceu no mesmo Estado que Lauper.

Com sua canção irreverente e estilo alegre de cantar, Cyndi Lauper foi parar com trilha sonora para um dos filmes de maior sucesso do cinema, o "The Goonies". Além disso, fez diversas participações em filmes e séries infanto-juvenis. Era a "Menina amada pela juventude", como creditavam os jornais americanos.

Cyndi Lauper e o clip de "THE GOONIE 'R' GOOD ENOUGH"



Paralelo a esse estilo, Madonna usava e abusava da sexualidade. A mistura gerou a semelhante rivalidade que ocorre hoje em dia com Gaga e Perry, muito mais criada para vendagem de CD's e mídia que pelas próprias cantoras. Ambas não se importavam e até fizeram alguns shows juntas, o que contribuiu para a imagem das duas. O próprio público alvo das moças era o mesmo.

Ao todo, Cyndi Lauper lançou onze discos, sendo o último em 2010, com boa aceitação, crítica e vendagem nos Estados Unidos. Ganhou dois Grammy's e um Emmy. Aem a mesma força que na década de 80, continua fazendo sucesso na América.

Cyndi Lauper atualmente

Há pouco tempo participou de um reality show, mostrando estar conectada com as mudanças do mundo pop, mas foi demitida ao afirmar, surpreendentemente, que tinha criado um próprio para si! A audiência do programa caiu quase que pela metade após sua saída.

O tempo passou para a jovem "sweet-rebelde" Lauper, mas suas identidades ainda estão presentes nas novas gerações, graças à revolucionária da música Pop.

24.11.11

"Por anos, eu bebia e abusava no uso de drogas por causa do que eu fiz naquele dia"

Uma das histórias mais ousadas (talvez a "mais ousada de todas") não poderia ser de outro grupo: Guns N' Roses. Famosos por suas extravagâncias com drogas, bebidas, quartos de hotéis quebrados e por andarem com Strippers antes da fama, uma música em especial é símbolo do que Axl Rose e sua turma (quando ainda era com a formação original) era capaz. E o que aconteceu em seu primeiro disco, o "Appetite for Destruction", mudou para sempre a relação entre os envolvidos.


Antes de serem famosos, os Guns tocavam na noite americana e, segundos os próprios afirmam até hoje, suas fiéis companheiras eram as strippers dos locais onde frequentavam/tocavam e terminavam a noite. Uma dessas meninas era Adriana Smith, de 19 anos, que acabou se tornando namorada do baterista da formação original, Steven Adler. Porém, uma traição do músico mudaria para sempre a história.





  Adriana Smith (direita), uma das muitas strippers que conviviam com os Guns N' Roses (Reprodução)

Corria o ano de 1987, Axl Rose trabalhava há meses no álbum que seria o divisor de águas do grupo, quando na obscena música "Rocket Queen" (em português, algo como "Fogosa"), sentiu falta de algo que desse veracidade à obra. Num dos dias de trabalho, após encontrar Adriana no estúdio entre as muitas das farras, propôs a namorada do amigo que "ajudasse" na faixa que estavam gravando. A proposta? Que pudesse ceder seus gemidos de orgasmo. Mas não foi simplesmente um gemido, como a própria Adriana narra:

"Eu estava namorando o baterista (Steven Adler) na época e nós sempre discutíamos sobre eu ser ou não namorada dele... Eu estava me embebedando no estúdio e Axl me fez uma proposta. Axl e eu sempre tivemos uma espécie de tentação, e uma vez que ficamos juntos, foi como fogo e gasolina"




Steven Adler, seu ex-namorado e ex-baterista dos Guns com Adriana Smith (Reprodução)

Visando se vingar do baterista, Adriana aceitou a ousada proposta de transar com Axl Rose para que "o som do amor" fosse introduzido na faixa que, entre outros versos, fala sobre o desejo sexual.
Numa das salas do estúdio em Manhattan (Nova Iorque), escura e totalmente desconfortável, diversos microfones foram colocados. Axl levou a namorada do amigo de banda para lá e, sem cerimônias, todo ato sexual foi gravado em uma fita pelo produtor do disco, Vic Deyglio, que usou recursos técnicos avançados para a época. Um dos microfones captava diretamente Adriana.

Se para a moça era um momento de diversão durante um porre, incluindo ataques de risos em meio ao ato, Axl auxiliava a moça para uma perfomance real e profissional. "Vamos lá, Adriana, tem que ser de verdade", Rose dizia, ofegante, com uma pausa no meio do coito. "Pára de fingir!".



Uma fita com aproximadamente 35 minutos foi gravada, onde o gemido de prazer da jovem foi editado e colocado na faixa, para satisfação de Axl. Seus sons orgásticos (que acabaram bem altos na mixagem da última faixa de Appetite for Destruction) são de verdade. Uma ousadia bem ao estilo Sexo, Drogas e Rock'n Roll.

Após tomar consciência do que havia feito, Adriana estava coberta de vergonha e aquela noite a assombrou durante anos:

"Acabei bebendo e usando drogas durante um tempão para esquecer. Sentia uma vergonha extrema, culpa e tal. Fui levada pela vingança e também a bebida. Eu sei que errei" - afirma hoje, a senhora Adriana Smith, com 41 anos e que não vê o "parceiro de gravação" há mais de 13 anos.

Quando Steven Adler soube do ocorrido ficou louco e teve "um chilique da porra", segundo Adriana. Adler, inclusive, recorreu ao seu maior vício para suplantar o fato: uso de heroína. Já viciado antes da história com a ex-namorada, o mesmo problema de uso constante o levou a ser expulso da banda, quatro anos depois.

Atualmente Smith está sóbria há 15 anos, trabalha como conselheira de álcool e drogas, além de ser vocalista de uma banda local chamada "Ghost In The Graveyard" que, inclusive, lançou uma música dedicada ao Axl Rose:

"Axl planejava me levar à estrada com eles, para termos shows de sexo ao vivo por trás de uma tela no palco. Aquele cara é um gênio, cheio de idéias loucas. Provavelmente, eu perdi um monte de dinheiro, mas não queria ser vista como uma groupie que roubava namorados."
 

Adriana Smith atualmente (reprodução)

PS: Appetite for Destruction, para mim, é um dos 5 maiores discos da história do Rock e "Rocket Queen" é uma das minhas prediletas do Guns, que é a minha banda de rock preferida.


Ouça os gemidos na faixa original, entre 2:30 e 3:10 minutos:

 


BÔNUS
 
Já que citamos a música, ouçam uma versão maravilhosa de "Rocket Queen", interpretada pela banda norueguesa Sandmarx, descoberta por mim através do Youtube. A vocalista tem uma das vozes mais lindas que já ouvi e se chama Sandra Szabo: