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3.10.11

Rock in Rio 2011: A festa que agora fica na memória

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Quem foi ao Rock in Rio aproveitou e para sempre guardará na lembrança os riffs, os solos, as viradas das baterias, a sustentação do baixo e muitos outros momentos. Como não poderia ser, vamos desdobrar um pouco mais ainda, essa semana, sobre o mesmo.

Sem dúvidas foi o Rock in Rio mais bem organizado, apesar de alguns problemas graves de assaltos dentro da Cidade do Rock e os absurdos "extra-Rock", como um cartão exclusivo de passagem para quem vai ao Festival. Pequenos detalhes que estragam a festa e sem ncessidade, mas que podem ser mudados para 2013.

Fiz uma avaliação PESSOAL sobre a festa, apesar de ter visto pela TV todos os dias, com exceção de domingo, que estava in loco. Vamos a ela.

Rock Street: Ideia original e maravilhosa, o local é muito simpático e bem diversificado. Até no dia dos metaleiros pode-se notas variação de público. Muitos grupos que foram para a Cidade do Rock dividiram-se entre os que ficavam nos Palcos Mundo e Sunset com a Rock Street, conforme sua preferência, e depois se encontravam após os shows.

Palco Sunset: Tentou ser parecido com o que foi o Palco Brasil na edição de 2001, com artistas nacionais e bandas sem tanta expressão para o Palco Mundo (em ambas as edições), mas dessa vez acabou sendo ao contrário. Muitos shows atraíram mais públicos para eles que no principal. Até porque, diferentemente da edição anterior, esse não trazia apenas shows nacionais e "pequenos". Um exemplo disso foi no dia do Metal, onde se apresentaram Angra e Sepultura, dois dos mais importantes sons do estilo no Brasil e no mundo. Foi tão relevante, que a transmissão da Multishow abriu mão de apresentar o show da Glória, no Palco Mundo, para apresentar o do Sepultura no Sunset.
A mistura de sons acabou tornando um atrativo a mais e, principalmente, muito mais aguardado em alguns casos. Entre os melhores shows e que mereciam até o Palco Mundo, além dos citados anteriormente, Sepultura e Angra, os da Joss Stone (que foi arrebatador) e o encontro do Cidade Negra, Emicida e Martinho da Vila. Outro destaque foi o Baile do Simonal e a parceria dos Xutos com os Titãs, dois shows espetaculares.

Palco Mundo: Apesar de alguns shows irregulares e que não deveriam estar no principal palco da festa, 90% deles foram espetaculares.

O Melhor Show: Slipknot
O Pior Show: Ke$ha
Revelação: Janelle Monáe
Mico: Ke$ha e sua guitarra massacrada
Destaque: Erasmo Carlos e Joss Stone, no Palco Sunset
Musa do Rock in Rio 2011: Katy Perry e sua sensualidade
Momento Histórico: Platéia cantando com Stevie Wonder a música "Garota de Ipanema"

Vamos a cada um dos shows, para mim:

Sexta-Feira - 23/09

Titãs e Paralamas: Espetacular. Duas das bandas com os repertórios mais famosos da música nacional, sacudiram a platéia e abriram o Festival em alto nível. Todos cantaram e sabiam as canções de cor. Fato negativo fica para o pouco tempo de show, exatos 53 minutos.

Claudia Leitte: A pior do primeiro dia. Público do Rock in Rio não é público de micareta, ainda mais num dia com tantos ritmos diferentes. Tentou levar para o palco esse clima de carnaval baiano, mas não conseguiu. A música onde pedia ao público para pular de um lado para o outro foi o pior momento do show, com pessoas vaiando, sendo empurradas e ficando sem movimentação. O repertório também não ajudou, fazendo até covers de rock., mas sem a categoria dos rockeiros. Bola fora do festival

Katy Perry: Um dos melhores momentos do Rock in Rio. Simpática, com uma das melhores produções dessa edição e um repertório que não cansava, conseguiu agitar até quem não era fã da californiana. O auge do show foi quando disse que os homens brasileiros eram sexys e quentes, chamando um rapaz (que virou web celebridade minutos depois, graças ao Twitter) para o palco e trocando beijos com o mesmo. O som atrapalhou nos primeiros minutos do show, mas soube controlar a platéia. Grata surpresa e, apesar de Pop, merece um bis em 2013.

Elton John: Marcado para ser o show principal da noite, trocou às pressas com a Rhianna, por compromissos profissionais, e ficou meio deslocado. Um dos maiores e mais conhecidos repertórios do Rock in Rio, esbanjou talento ao cantar só com voz e piano diversas vezes. Show espetacular mas que, com essa troca, pareceu chato devido a ansiedade da platéia com a cantora de Barbados. Merece uma repetição em 2013, mas num dia mais eclético e como atração principal, semelhante o que ocorreu com Stevie Wonder.

Rhianna: Uma hora de atraso atrapalhou um pouco o show, que começou frio e foi crescendo conforme a morena cantava seus sucessos. Excelente show e com bastante participação da garotada que curte o som. Ao contrário da amiga Katy Perry, só teve troca de cenário apenas uma vez e de resto foi sempre cantando e empolgando.

Sábado - 24/09

NxZero: Banda da nova geração, abriu um dos dias mais aguardados e foi muito bem. Apesar do repertório ter muitas canções românticas, conseguiu empolgar e manter o público em atividade. Ainda falta estrada para a banda, como o pouco tempo de apresentação prova, mas pareciam "gente grande".

Capita Inicial: Incendiou o Rock in Rio. Junto com Skank, o melhor show nacional. Dinho Ouro Preto, visivelmente emocionao, deixou passar a emoção para o público, jogou água para a platéia com sede, informou que tinha gente passando mal e cantou os grandes sucesso. Repetiram o espetáculo de show que fizeram em 2001.

Stone Sour: Até então desconhecida para muita gente, a banda liderada pelo Corey Taylor, que também é vocalista do Slipknot, não deixou ninguém parado durante a apresentação. Surpresa para muitos, a interação de Taylor com o público foi uma das melhores e o repertório variado foi um dos melhores da noite. A banda merece um bis em 2013 e ser visada por quem gosta de rock. Muito boa.

Snow Patrol: Cercada de muita expectativa, a banda decepcionou. Poderia ter preparado terreno para os Red Hot, mas com um repertório de músicas lentas e românticas, deixou o público apático e sonolento. Na última canção, a guitarra desacoplada da pedaleira gerou revolta e até algumas vaias, que veio seguida de um pedido de desculpa do vocalista. Deixo a desejar.

Red Hot: Headliner da noite, não deixou por menos o status e cantou todos os sucessos. Apresentou canções do novo CD e mostrou que a banda está muito mais madura do que há 10 anos e dos shows que fez no Brasil em 2002. Flea continua um monstro com seu baixo e, o guitarrista Josh, substituíndo temporariamente o Frusciante, ficou um pouco abaixo do titular mas não comprometeu. A platéia esperava um bis, mas infelizmente não veio.

Domingo - 25/09

Glória: Infelizmente a banda foi o ponto negativo da noite. O repertório estava muito forçado e o peso de abrir a noite que tem Metallica fez a diferença. Recebeu muitas vaias até cantar um cover da extinta banda Panteras, daí cresceu, mas ainda não o suficiente. Merecia o Palco Sunset, com o Sepultura ou Angra em seu lugar.

Coheed & Cambria: Banda pouco conhecida no Brasil, trouxe um repertório excelente, com bastante peso das guitarras e dois vocalistas afinados. Mas o público estranhou e recebeu com frieza.

Motorhead: A lenda do Metal fez a alegria da galera. Mostrou que, os 65 anos do seu vocalista Lemmy, ainda suportam e bem velocidade e peso de um som metaleiro. Deram um show e entraram para a história do Rock in Rio.

Slipknot: As grandes figuras desse Rock in Rio 2011. Conhecido apenas das pessoas que gostam de Metal, a banda cantou todas as músicas acompanhada pela platéia e, numa só voz, cantando o repertório inteiro. Corey Taylor, novamente ele, protagonizou o momento de maior domínio de vocalista-platéia dessa edição e, uma das maiores da história do Festival. Fez o público se ajoelhar, correr, abrir rodinhas punks e até com integrantes pulando sobre o público. Um espetáculo no sentido da palavra. Era um show áudio visual. Espetacular.

Metallica: O que falar de outra lenda do rock? Cantaram quase todos os sucessos num dos maiores shows desse Festival, com mais de duas horas de música. O entusiasmo e delírio da platéia era tanto (e a diversão dos músicos também), que voltaram para o bis e cantaram quatro músicas!!!!!!!! Um dos melhores shows do Rock in Rio 2011.

Quinta-Feira - 29/09

Legião Urbana e convidados: Encarregada de abrir o dia extra, a Legião lembrou Renato Russo com a participação da Pitty, Heberth Vianna, Toni Platão, Rogério Flausino e Dinho Ouro Preto com um grande repertório e cantado por todos da platéia. Muito bom recordar a excelente safra de roqueiro do Brasil nos anos 80. Outro golaço do Roberto Medina.

Janelle Monáe: Desconhecida do público, para mim, foi a maior revelação do Rock in Rio 2011 e o melhor show que vi. A cantora, que também é bailarina, já tinha boas referências quanto ao espetacular show que fez no começo do ano, quando abriu o show da Amy Winehouse. Chegou "metendo o pé na porta", como dizemos na gíria, com canções do seu álbum que foi indicado ao Grammy e sem intervalo! Mais de 20 minutos só de música. O público foi ao delírio. Com uma mistura vocal de Michael Jackson e Prince, além de um balanço de James Brown e dança também do Rei do Pop, fez todos ficarem boquiabertos com o tamanho controle sobre o palco. Parecia headliner. O ápice foi o cover de "I want to back", do Michael Jackson. Um showzaço. Se você não viu, procure pela internet e assista.

Ke$ha: Cercada de expectativa, foi o pior show do Palco Mundo no Rock in Rio. Vestida de forma exótica, muitos acharam que queria imitar Madonna, mas com a rebeldia da Lady Gaga. Não foi nenhuma das duas. O repertório foi fraco e precisou quebrar a guitarra para tentar empolgar... Em vão. Na última canção, a mais famosa, a Tik Tok, empolgou e saiu aplaudida. Mas não apagou o fraco desempenho

Jamiroquai: No melhor estilo discoteca dos anos 70 e 80, a banda chegou cheia de músicas nostálgicas, mas atuais. Foram muito aplaudidos e prepararam o terreno para a lenda da noite. Bom show e que merece voltar.

Stevie Wonder: O que falar da lenda? Cantou, tocou e até arriscou dançar. Protagonizou um momento histórico entre todos os Rock in Rio, quando sua filha cantava "Garota de Ipanema" em inglês e a platéia em português. Ele e a filha se calaram e a banda tocou o restante da música para a platéia, num coro de emocionar. Trouxe todos os seus grandes sucessos e emocionou. Quem foi é um abençoado por ter visto uma lenda da música. Talvez tenha sido o melhor show dessa edição.

Sexta - 30/09

Marcelo D2: Veterano dos Rock in Rio Lisboa e Madrid, o rapper cantou seus sucessos e sacudiu a platéia. Um excelente show, mostrando que há espaço sim para o Rap no Brasil!!!!!

Jota Quest: Embalados pelas canções que lançaram a banda no cenário musical, foi acompanhada pela platéia e empolgou, mas o repertório ficou muito devagar para a noite.

Ivete Sangalo: Calou a boca de quem fala que só pode rock no Rock in Rio. Cantou e dançou seus hits mais famosos e ainda deu um show cantando More Than Words, de improviso. Com certeza estará no próximo Rock in Rio.

Lenny Kravitz: O roqueiro-pop chegou bem animado e também sacudiu a platéia. Fez um show simples, sem fírula e com muito som. Também merece voltar nas próximas edições.

Shakira: A simpatia e o carisma da colombiana logo "pegou na veia" do público, enquanto conversava com todos em português. Cantou, dançou e mostrou toda a versatilidade que a faz uma cantora pop diferente de todas as outras e de sucesso. Fez um homenagem ao Brasil cantando "País Tropical" com Ivete, que voltou ao palco. Também fez uma bela interpretação de Nothing Else Matters, do Metallica!!! O público sentiu falta de Rabiosa e pediu a todo momento. Fez por merecer ser headliner

Sábado - 01/10

Frejat: Cantou as principais músicas do Barão, suas e um medley do Tim Maia. Muitos duvidavam que seria capaz de agitar a todos num dia tão eclético, mas calou a boca de todos. Fez um dos melhores shows da noite e ainda homenageou o amigo Cazuza

Skank: Arrebentaram. Essa é a palavra. Chegaram com "sangue nos olhos", cantando todos os maiores sucessos da banda, com a platéia enlouquecida e ainda brincando com todos, ao filmarem o público com uma câmera 3D. Junto com o Capital Inicial, um dos melhores shows nacionais e do Rock in Rio.

Maná: Ainda sob o "efeito Skank" (sem trocadilho), começaram frios e pouco empolgaram. A banda ainda é muito pouco conhecida no Brasil, no que diz respeito ao repertório, o que prejudicou na interação com a platéia. Muito carismático, o grupo fez uma apresentação apenas regular.

Maroon 5: Famosa no público adolescente e jovem, fez um show com bastante balanço e acompanhados em quase todas as músics pelo público. Empolgaram bastante, mesmo chegando de última hora, mas o som baixo no Palco foi alvo de reclamações.

Coldplay: Um dos mais aguardados shows desse Rock in Rio, não fez feio. Com uma espetacular produção de luz e som, fez um show impecável. Para muitos, até o melhor de 2011. Apesar de ter gostado do show, acho as músicas repetitivas e cansativas, são mais focadas para o público que realmente gosta. Mas realmente corresponderam às expectativas e devem voltar em 2013, pelo que Medina deixou transparecer.

Domingo - 2/10

Detonautas: Com bastante discurso político, palavrões e incetivos, Tico Santa Cruz tacou fogo no público. O show foi muito bom.

Pitty: Musa dos roqueiros, mostrou porque é considerada a maior revelação do rock nacional da última década. Com todos os hits cantados, ainda brincou com o público enquanto gritavam para ela "Gostosa". Tem uma segurança para cantar que impressiona, parece veterana. Merece estar em 2013, mas agora num horário maior e com mais visibilidade.

Evanescence: Sucesso na década de 2000, Amy Lee e sua turma esbanjou bom rock e um pouco de metal em alguns momentos. Sua voz que flerta com o lírico é extraordinária. Bom show, mas que destoou do domingo de rock mais clássico.

System Of A Down: Fenômeno entre os jovens e amantes do rock pesado, o popular SOAD "botou a casa para baixo". Cantaram mais de 20 músicas, num show longo e que agradou em cheio quem esperava a banda há 5 anos, já que estavam "de férias" e sem shows. Arrepiou.

Guns N' Roses: Uma das mais famosas bandas de todos os tempos, infelizmente está em fase decadente. Após a saída de todos os integrantes originais da banda no final da década de 90, ficando apenas Axl e o Dizzy, a obra musical supera o fraco desempenho dos novos integrantes. Axl Rose, infelizmente, não é mais o mesmo. Em 2001 já estava mal na voz e, agora, pior ainda. Seu costumeiro atraso, que já se tornou um "charme" para os amantes do rock clássico mas um fardo para quem trabalha numa segunda de manhã, mostrou que o tempo passou para ele. Ficou devendo e muito, principalmente com relação ao desempenho dos guitarristas, errando solos de Patience e Rocket Queen.
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